Reflexão para acalmar a mente (sem truque, sem técnica mágica)
Tem uma coisa que quase ninguém te fala quando o assunto é “acalmar a mente”:
Você não está brigando com o pensamento.
Você está brigando com tudo aquilo que o pensamento está tentando falar.
E é uma coisa bem diferente, confie em mim.
Quando você diz “a minha mente não para”, quase nunca é só sobre a quantidade de ideias e pensamentos que estão dentro da sua cabeça.
Na verdade, é muito mais sobre uma parte sua dizendo:
“Olha pra mim. Eu tô aqui faz muito tempo já.”
Mas como ninguém te ensinou a fazer isso do jeito certo, você tenta:
se distrair,
se ocupar,
se cobrar,
se explicar,
se organizar.
E no fim do dia, o barulho continua ali presente e te incomodando.
Então vamos partir de um lugar mais honesto:
talvez você não precise acalmar a mente.
Talvez o que você precisa é parar de deixar ela sozinha.
Onde, exatamente, começa esse barulho?
Para pra pensar um pouco agora… aproveita esse tempo pra você, Não precisa responder tão rápido.
Se você responder rápido demais, provavelmente vai acabar repetindo a mesma explicação de sempre: vem do meu trabalho, minha rotina é muito corrida, tenho medo do futuro, muitas contas pra pagar, problemas no relacionamento.
é claro que tudo isso pesa.
Mas não é disso que eu estou falando.
Tenta voltar um pouco antes disso que você consegue perceber rapidamente.
Antes do trabalho.
Antes da rotina.
Antes da agenda lotada.
Tem algo que começou a pesar dentro de você antes de tudo isso virar a justificativa racional.
Pode ter sido um limite que você não colocou.
Uma fase que passou por cima da sua energia e você disse “depois eu me cuido”.
Um relacionamento em que você aceitou migalha emocional, porque parecia mais fácil do que ficar sozinho.
Ou simplesmente uma sequência de pequenos “vai passar”, “deixa isso pra lá”, “não posso fraquejar agora”.
Você já percebeu que sua mente começa a gritar quando você passa muito tempo se traindo com coisas pequenas?
Não é o grande trauma todo dia.
É a soma de micro traições internas.
A mente como corredor de hospital
Imagina um corredor de hospital.
As emoções são os pacientes.
Cada uma chega com um tipo de dor:
– uma tristeza que você não quis sentir quando precisou ser “forte”;
– uma raiva que você engoliu para não parecer “difícil”;
– uma frustração que você arrastou porque “não era o momento de mexer com isso”;
– um medo que você mascarou com produtividade;
– ou uma exaustão que você escondeu dormindo demais, porque achava que só estava “cansado da correria”.
Todas entram nesse corredor, pegam uma senha, sentam e… esperam.
Imagina que existe um limite de pacientes que esse hospital, ou sua mente, dá conta de lidar.
Quando os pacientes esperam demais, a fila fica muito grande, e o sistema começa a chamar:
“senha 12… senha 13… senha 14…”
Esse é o barulho que você chama de “pensar demais”.
Não é excesso de pensamento.
É fila emocional atrasada, é a mente tentando se aliviar de toda a sobrecarga pendente.
E é injusto exigir que a mente fique calma enquanto você mantém o corredor lotado.
Você não precisa de mais uma técnica. Precisa de um encontro.
Vou te pedir uma coisa que parece simples, mas não é:
Não tenta “aplicar” o que eu vou dizer.
A única coisa que eu quero que você faça é “apenas”: sentir.
Você passa tanto tempo tentando resolver as coisas da sua mente que se esquece de encontrar consigo mesmo.
Como seria, só por hoje, você não tentar consertar nada e só fazer uma pergunta honesta para si:
“Do que eu estou cansado e não admito de verdade?”
Não é cansado de trabalhar, da rotina, do relacionamento, entende?
É mais fundo!
Cansado de sustentar um papel que já não faz sentido?
Cansado de sempre ser o responsável?
Cansado de precisar ser compreensivo com todo mundo e quase nunca ser compreendido?
Cansado de fingir que está tudo bem?
Seu corpo sabe a resposta.
Repara nele um segundo.
Onde está o incômodo agora?
Não tenta explicar racionalmente e só por agora, tenta esquecer o que você acha que já sabe. Só note como seu corpo se sente.
É o peito apertado?
Estômago estranho de algum jeito?
Um aperto na garganta, como se alguma coisa quisesse sair?
Esse lugar do corpo costuma apontar mais verdade sobre você do que qualquer pensamento bonito.
A parte que ninguém oferece lá fora: profundidade sem pressa
Lá fora todo mundo vai te dizer:
“Pensa positivo.”
“Foca no que importa.”
“Respira fundo e solta. Joga pro universo.”
Não é errado. Só é raso demais, muito superficial e, muitas vezes, inútil, praquilo que você sente.
A sua mente não está pedindo positividade.
Ela está pedindo coerência.
E essa coerência dói no começo, porque revela onde você se abandonou.
Por exemplo:
– você fala em autocuidado, mas sempre se coloca em último lugar na fila;
– diz que valoriza paz, mas se envolve em problemas que te sugam sempre que tem chance;
– fala em autenticidade, mas tem medo de decepcionar os outros quando precisa mostrar quem você é de verdade.
Isso não vai embora com uma simples respiração de quatro tempos.
Vai embora devagar, à medida que você começa a alinhar: o que você pensa, o que você sente, o que você faz.
E quase sempre, para conseguir alinhar tudo isso, precisa fazer um caminho que ninguém vende como solução rápida:
ficar um pouco a sós com a sua verdade.
Um tipo diferente de silêncio
Quando você pensa em silêncio, provavelmente você imagina a ausência de barulho.
O silêncio que acalma a mente não é esse. Até porque sua mente está sempre em movimento.
O silêncio que você procura vem quando você para de se defender de si mesmo.
Tem uma diferença enorme entre:
“Preciso acalmar a mente.”
e
“Preciso parar de fugir de mim.”
Não é possível fugir de si mesmo, quanto mais você tenta não pensar, mais sua mente te lembra que tudo está ali, sim!
É importante aceitar essa verdade.
Algumas reflexões não vêm pra acalmar de primeira.
Vêm para reorganizar o terreno que estava torto.
Só depois vem a calma.
Um convite concreto (mas que só funciona se for sincero)
Se você quiser fazer algo com isso hoje, faz o seguinte: transforma tudo o que você leu aqui em encontro.
Escolhe um momento do seu dia — pode ser no carro parado, no banho, sentado à beira da cama antes de dormir.
Nada de ritual perfeito, como se tudo precisasse se alinhar para funcionar.
Só você com uma pergunta:
“O que em mim está pedindo um pouco de espaço hoje?”
Não tenta responder, não faz força, não se cobra por já saber a resposta.
Deixa vir a primeira coisa que aparecer, mesmo que pareça besta:
“eu tô triste com algo que já deveria ter superado”,
“tô com raiva de alguém que eu disse que perdoei”,
“tô com medo de não dar conta do que eu mesmo criei pra mim”.
Não corrija a resposta. Evite aquela tendência natural de achar que não tem nada a ver.
Não espiritualiza.
Não tenta transformar em frase bonita.
Só reconheça que isso tudo está aí, dentro de você.
Talvez você não faça nada com isso hoje.
Mas reconhecer já tira essa emoção do corredor de espera.
Já muda o tom do barulho.
Quando é que a mente começa, de fato, a acalmar?
Ela começa a acalmar quando sente que você está começando a fazer o que precisa ser feito.
Mente e corpo sentando juntos de novo na mesma mesa.
Você nota o corpo.
Você admite a emoção.
Você organiza o pensamento.
Nessa ordem. 😉
Talvez você perceba que grande parte do seu cansaço vem da tentativa de controlar o pensamento sem nunca perguntar:
“o que ele está defendendo?”
Pensamento acelerado quase sempre é defesa. Sua mente sempre quer te defender da dor.
Mas defesa do quê?
Essa é a pergunta que ninguém faz por você. Ninguém consegue te responder isso.
Você é quem precisa fazer.
Aquilo que você não encontra em todo lugar
Você não precisa de alguém dizendo que “tá tudo bem” se não tá.
Não precisa de mais uma frase de impacto pra postar no story.
O que você realmente precisa — e quase não encontra — é de um espaço interno em que seja possível dizer a verdade sem ser punido por ela.
Talvez essa reflexão seja o começo desse espaço.
Um lugar onde você possa dizer:
“eu não tô dando conta como pareço”,
“eu tenho medo de assumir que eu mudei”,
“eu me acostumei a sobreviver, e agora não sei viver sem esse estado de alerta”.
E, ao invés de responder com autocobrança ou justificativa, você responde com algo muito mais raro:
“Ok. É isso que está aqui. Vamos começar exatamente daqui.”
É aqui que a mente, aos poucos, entende:
não precisa mais gritar tanto.
Porque, finalmente, alguém está escutando.
Esse alguém é você.
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